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Eleição 2018: O histórico “não” de um povo – Parte I






Por: ERALDO MACIEL


Os Anos 80 e 90 do século passado trouxeram muitas mudanças em todo o mundo. Alguns dos principais fatos: 

Na Alemanha então dividida caiu o Muro de Berlim, o maior símbolo da chamada Guerra Fria. De um lado a pujante República Federal da Alemanha; do outro, a combalida República Democrática da Alemanha. O irônico: a Alemanha “democrática”, sob o regime socialista comandado pela então União Soviética, nada tinha de democrática. Quem tentasse sair do país transpondo o Muro de Berlim era abatido a tiros. Já a Alemanha capitalista era (e é) liberal e verdadeiramente democrática, uma das maiores economias do mundo até hoje.


Na Polônia, um levante dos operários já em 1980 daria o tom do que seria a política naquele país. O famoso Sindicato Solidariedade serviu de inspiração para movimentos libertários mundo agora. Uma década depois, em 1991, Lech Walesa seria eleito presidente polonês. Também naquele ano a poderosíssima União Soviética se dissolveria, com a Rússia herdando o arsenal bélico e o suposto poderio econômico.

Na África do Sul, em 1994, terminava o Apartheid – regime de segregação racial adotado pela minoria branca desde 1948. Nelson Mandela se elegeu presidente do país.

Mas foquemos o Brasil... O regime militar iniciado em 1964 chegou àqueles Anos 80 já sem fôlego. Em 15 de janeiro de 1985, em votação no condenável Colégio Eleitoral, Tancredo Neves derrotaria Paulo Maluf e se elegeria presidente da República. Foram 480 votos (72,4%) contra 180 (27,3%). Uma surra. Fruto da campanha das “Diretas Já!”.
Tancredo não tomaria posse. Na véspera de sua posse, em 15 de março de 1985, ele adoeceu. Nunca mais apareceu em público. Morreria, oficialmente, em 21 de abril daquele ano. Em seu lugar governou o então ex-presidente do PDS, José Sarney. O PDS era, exatamente, o partido que dava sustentação aos militares. As eleições de 1986, no embalo do “Plano Cruzado”, dariam uma vitória acachapante ao partido então dominante, o PMDB: somente um governador não era peemedebista, o do Sergipe. Mas era do PFL, aliado do PMDB.

Em 1988, sob o comando de Ulysses Guimarães, a “Constituição Cidadã” era promulgada. Novas garantias constitucionais foram asseguradas aos cidadãos; a sensação geral era que o Brasil caminhava para um estado de reais liberdades democráticas, lançava-se ao desenvolvimento e firmava namoro com um futuro desenvolvido... Fui muito precoce sonhar assim.

De lá para cá vivemos praticamente uma dicotomia política: em um lado o PSDB, no outro o PT. Collor de Mello foi o incidental necessário à transição pós-Sarney. Não governaria: o PMDB havia implantado na vice-presidência o esquisito Itamar Franco. Collor tomou posse em março de 1990 e, em novembro de 1992, renunciou. Itamar abriu o caminho tão aguardado para os socialistas chegarem ao poder: em 1994 elegeu-se presidente o candidato do PSDB, Fernando Henrique Cardoso. Reelegeu-se em 1998. Luiz Inácio Lula da Silva ficava sempre na segunda colocação. Em 2002 Lula elegeu-se presidente – e o Brasil viu o PT reinar no Planalto por longos 13 anos consecutivos, até a “queda” da desencontrada e confusa Dilma Roussef do poder, cassada pelo Congresso Nacional. Outra vez o PMDB estava ali, de plantão: o vice Michel Temer assumiu a presidência. Engana-se quem ainda acredita que FHC e Lula foram verdadeiramente adversários/inimigos políticos. Só usaram uniformes diferentes (partidos) diferentes. Suas trincheiras sempre foram as mesmas).

Algo, porém, deu errado. O plano era eleger mais um “tucano” ao mais alto cargo do país. Ou, se necessário, através de uma grande articulação com o Supremo Tribunal Federal (STF), Lula seria inocentado e reconduzido às urnas... Não deu. Tentou-se Haddad, homem da estrita confiança de Lula. Também não vai dar.

No meio de tudo estava, e está, a maior parte da população brasileira. Um verdadeiro levante cívico jogaria um balde de água gelada nos planos socialistas. É o que veremos na “Parte II”, amanhã.

(*) Eraldo Maciel é jornalista e radialista

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