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Ibititá: Homens apresentam criação para captação d'água em poço no povoado de Pedra Lisa

03/04/2019

Dois garis do município de Ibititá, apostaram na criatividade para puxar água de um poço artesiano e driblar a falta de energia elétrica no local onde o está o poço. 
Eles utilizam uma motocicleta para a realização da tarefa. A ideia de criar a 'moto poço' foi de José Augusto da Silva, de 38 anos, que teve o apoio do amigo João Luiz de Araújo, de 34. “Furei o poço, e tava com gado lá [propriedade]. E pensei em alguma tecnologia que puxasse essa água do poço. Antes era manual. Consegui fazer uma manivela, mas tava fazendo muito calo na mão. 

E eu rodando a manivela, e olhando a 'motinha'. Comecei a estudar e fui fazendo até conseguir”, disse José. A moto é colocada sobre um tronco de uma árvore próxima ao poço, para que a parte traseira fique erguida e a roda possa girar sem tocar no chão. Uma corda é ligada à roda, a uma manivela e à bomba de sucção. Quando a roda gira, a bomba de sucção é ativada e puxa a água. A invenção é capaz de puxar 2,5 mil litros de água por hora, segundo os idealizadores. Com um litro de gasolina, a moto puxa 3 mil litros de água, afirmam. 
Segundo José, se fosse construir um sistema tradicional de bombeamento de água do poço, os custos chegariam a cerca de R$ 10 mil. “Só a bomba pode chegar a R$ 3 mil, fora encanamento e a parte elétrica. Ficaria uns R$ 10 mil tudo. O meu deu cerca de R$ 400, eu já tendo a moto". Em um vídeo gravado para divulgar a invenção, José classificou a ideia de "obra de arte". A água do poço é usada para consumo, para irrigar uma pequena plantação e para dar a vacas que eles criam. A mesma moto utilizada para puxar a água do poço é também usada por eles como meio de transporte, para ir até a sede da cidade, onde atuam como garis. Os dois moram no povoado de Pedra Lisa, que fica a cerca de 4 km da sede. Quando precisam da moto para usar no poço, eles tiram a câmara de ar e o pneu traseiro. Depois, para usar o veículo como meio de transporte, é só recolocar as peças na moto. “A moto já tem bem uns cinco anos que está comigo. Eu peguei ela toda desmontada, faltando motor, pneu, e fui comprando as peças aos poucos, e fui montando. Sou mecânico de moto. Manjo um pouco de carro. Mas nunca trabalhei para os outros, sempre trabalhei nos meus veículos e de alguns amigos que confiam na gente”, diz José, que é casado e tem dois filhos, um de 10 e outro de três anos. Ele afirma que sempre foi muito curioso e diz ser fã de tecnologia. Sonha em ser engenheiro. “Desde pequeno eu gostava de mexer em bicicleta e ficava olhando os outros consertarem. Fui ficando curioso, depois comprei minha bicicleta, comecei a mexer, e sempre querendo mexer em algo maior. 
Quando vejo algo quebrado, dá logo a vontade de consertar, ver como funciona", conta José, que diz que procura sempre se capacitar. "Fiz cursos de mecânica de moto, e, em 2014, passei em engenharia sanitária e ambiental, em Xique-Xique. Devido à falta de condições, tive que deixar. Fiz um ano, mas o dinheiro começou a acabar e aí ou minha mulher e filho (na época com 4 anos) morriam de fome, ou eu desistia. Mas meu sonho é ser engenheiro”, destaca. Para ele, as novas tecnologias são sempre bem-vindas. “Eu sou a favor da tecnologia. Se tiver um trabalho que dure um ano, e tiver uma tecnologia que faça ele em um dia, eu sou a favor”, destaca. José diz que, depois da invenção, muitos vizinhos pediram para que ele os ajudasse também a puxar água de outros poços. “Chegaram umas pessoas atrás de mim, para fazer o mesmo nos poços deles, ficaram de arrumar a moto, mas até agora não fecharam nada não. Tenho um vizinho mesmo que abriu o poço há 10 anos, e o poço está parado, porque não tem como puxar a água. Eu ajudo alegre e satisfeito. Meu prazer é puxar a água pra dar pros animaizinhos. Se quiser dar uma ajuda de custo, a gasolina pra eu ir até a casa dele, eu aceito”, diz. José diz que muitas pessoas chamaram ele de doido por conta da invenção e duvidaram que a ideia pudesse dar certo. Inicialmente, somente o amigo João apoiou. "Quando eu falei com João, ele deu apoio total. Aí eu falei: 'Agora eu vou fazer, pra não decepcionar meu amigo'. E ele me ajudou. Quando precisava montar, ele me ajudava, dava nó em corda, ajudou na montagem”, afirma. João, que desde criança é amigo de Zé e que também é casado com a irmã dele, disse que não pensou duas vezes quando recebeu o convite para colocar a ideia em prática. “Somos amigos, compadres e cunhados. 

Eu gosto de incentivar as pessoas. Quando ele falou da ideia, eu disse: ‘Vamos cair pra dentro. Vamos ver o que é que sai’. Ele inventando as coisas, e eu sempre junto. Teve um dia que a gente trabalhou até amanhecer o dia", disse João, que destacou que, na zona rural, com pouco acesso a serviços e equipamentos, as pessoas tem que usar a criatividade para fazer os trabalhos. "Na roça, a gente se vira. A gente procura uma forma do serviço andar”, destacou João, que também tem duas filhas, de 14 e 9 anos.

Fonte: G1

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