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SESSÃO ESPECIAL DISCUTE VALORIZAÇÃO DAS MATRIZES DO FORRÓ E FESTAS JUNINAS

14/05/2019

O plenário da Assembleia Legislativa se transformou numa verdadeira festa junina, na manhã desta terça-feira (14). Com uma mesa formada por legisladores, gestores e representantes da sociedade civil ligados à cultura, mais especificamente à música nordestina tradicional, a audiência pública, intitulada Matrizes do Forró e Festas Juninas, contou também com uma plateia repleta de forrozeiros, dançarinos de quadrilha e produtores culturais.


Aberto pelo presidente interino Alex Lima (PSB), o evento, proposto e conduzido pela deputada Fabíola Mansur (PSB), foi aprovado por unanimidade na Comissão de Educação, Cultura, Ciência, Tecnologia e Serviços Públicos e realizada em conjunto com a presidente da Frente Parlamentar da ALBA em defesa do registro das matrizes do Forró, a deputada Fátima Nunes (PT). Um dos objetivos da iniciativa, segundo socialista, foi fazer força política pela celeridade na tramitação do processo de registro que reconhece as matrizes do Forró como patrimônio imaterial brasileiro junto ao Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural Nacional (Iphan).


A abertura da audiência se fez sob a execução, à sanfona, do Hino Nacional, com a introdução de Asa Branca, considerado o hino do Nordeste, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Em seguida, a quadrilha Forró do ABC tomou conta do espaço.


Participaram da mesa, o coordenador de projetos do programa pró-turismo do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural do Estado, Marcelo Sá; o diretor de operações da Bahiatursa, Paulo Vital; o vereador e presidente da Comissão de Cultura na Câmara Municipal de Salvador, Sílvio Humberto; a coordenadora do Forum Nacional do Forró, Joana Alves da Silva; o técnico de patrimônio imaterial do Iphan, Edson Miranda; o cantor e compositor Del Feliz; a conselheira estadual de Cultura, Sueli Melo; o secretário de Cultura de Irecê, Solón Barreto; o presidente da Fabac, Carlos Brito; a curadora cultural Eli Machado; o produtor-executivo do trio Nordestino, Carlos Coroneto; a presidente da Associação Asa Branca e coordenadora do Forum Raiz da Bahia, Marizete Nascimento; a diretora do Instituto Maracatu Bizoro Avoador Rosana Macedo, presidente da Ordem dos Músicos da Bahia, Guilherme Akira.


HISTÓRICO


Saudando a mesa e a plateia de forrozeiros, artistas, quadrilheiros, Fabíola Mansur referiu-se ao momento como histórico, recebendo pessoas comprometidas com a defesa do forró. Ressaltou, também, a importância da regulação da Lei da Zabumba, que define nos eventos tradicionais que 60% das contratações sejam de artistas do Estado.  “É importante porque o São João, para além de ser uma manifestação artística, e o forró, para além do São João, é responsável por uma cadeia produtiva gigantesca. É esse forró que precisamos salvaguardar, não só através do registro imaterial que protege as nossas tradições e preserva a essência, mas também, para gerar turismos, renda, emprego, já que as festas juninas, na Bahia, geram em torno de 700 milhões”, justificou.



Elogiando Irecê, como um dos municípios que cumprem rigorosamente o percentual indicado pela lei, a legisladora ressaltou a importância da quadrilha como uma tradição que precisa de investimentos, para que não se percam, “e temos que incluir a juventude que é quem renova e preserva as tradições e tentar fornecer ao Estado um grupo técnico para ajudá-lo ao cumprimento da lei”, complementou.



Na sessão, o deputado Zó (PC do B) falou sobre a dificuldade enfrentada pelos forrozeiros que, em muitas cidades, mesmo em época de São João, são preteridos pela gestão municipal em favor de outros grupos sem qualquer relação com a festa. Fátima Nunes chamou atenção para o cuidado que se deve ter com o forró, “com aquilo que é nosso, porque, nesse Brasil capitalista, historicamente tentou-se esconder o que é bom para o brasileiro e vender o que é bom para os capitalistas internacionais”, alertou.


A idealizadora do movimento e coordenadora do Forum Nacional do Forró, Joana Alves da Silva,   que desde 2011 vem promovendo mobilizações pela conquista do título de patrimônio imaterial para o forró, mostrou-se emocionada com o evento e aproveitou para dar a notícia de que, no próximo ano, o forró será patrimônio cultural brasileiro. 


“Somos nós, juntos, que vamos vencer essa luta por uma categoria que estava quase se esquecendo de se mobilizar. Não é que o forró esteja morrendo, mas estava desestimulado de tratar-se com carinho, para fazer uma mudança. O forró é importante, sim, e a gente tem muito para construir, para mudar. Depois do registro, vem a salvaguarda, ou seja, a luta de classe pela melhoria do produto que a gente registrou”, explicou. 



Entre os artistas convidados, o forrozeiro Del Feliz manifestou sua alegria com as conquistas da categoria e pela oportunidade de encontro com os representantes legais pra falar sobre cultura. A representatividade do forró como uma festa completa envolvendo todas as idades, com música, dança, poesia e culinária foi colocada pelo cantor que também conclamou para a luta pela Lei da Zabumba.


“Com todo o respeito à diversidade, é importante essa reserva de espaço que valorize nossa dança, os forrozeiros e as quadrilheiros. Esse encontro deságua nessa possibilidade e tentar essa regulamentação é fundamental, não só para os nossos forrozeiros, mas para a economia e para a cultura da Bahia. O forró é grande!”.


O cantor paraibano Val Macambira brindou o público com uma demonstração de derivados do forró, como o “repente” e  a “improvisação” e homenageou um dos maiores representantes da música nordestina, seu conterrâneo Jackson do Pandeiro. Aproveitou, também, para defender a participação do forró em outros eventos do calendário cultural do Estado.  Logo depois, o sanfoneiro Claudinho do Acordeon interpretou um dos clássicos de Dominguinhos e Anastácia, Só Quero um Xodó.

A sessão, que também contou com a presença do líder da maioria Rosemberg Pinto (PT), de Hilton Coelho (Psol), Zé Raimundo (PT) e Diego Coronel (PSD), foi encerrada em festa, animada pela cantoria de todos os artistas presentes, entre eles Rodrigo Araújo, Cicinho de Assis, Carlos Pitta, Zelito Bezerra, Sandrinho do Acordeon, Val Macambira e Celo Costa, junto aos parlamentares, gestores e representantes da sociedade civil.

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