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Fome de reabertura: bares e restaurantes amargaram prejuízos durante a pandemia

04/03/2021

Quase 20 mil estabelecimentos do setor fecharam as portas desde o primeiro caso de Covid-19 registrado na Bahia, em março de 2020.

Por Lily Menezes
Para além da tragédia que os altíssimos números diários de infectados e vitimados pela pandemia do novo coronavírus representam em todo o Brasil, a economia também tem sofrido duros golpes, trazendo dor de cabeça aos empreendedores e desalento aos profissionais desempregados por causa da queda livre da receita dos estabelecimentos. De acordo com a pesquisa Pulso Empresa, realizada em agosto de 2020 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 33,5% das empresas brasileiras relataram um impacto negativo por conta da maior crise sanitária da história atual do país. Em dezembro, a Pesquisa Mensal de Comércio realizada pelo IBGE revelou que o comércio sofreu uma queda de 4,3% na Bahia em volume de vendas. Bares e restaurantes estão entre os estabelecimentos mais prejudicados, por conta dos vários meses de fechamento ocasionados pelas medidas de proteção à vida por parte dos poderes estaduais e municipais.


“Corredor da morte”
O estado contabiliza mais de 18 mil bares e restaurantes fechados desde o início da crise provocada pela covid-19; hoje, são 40 mil estabelecimentos do ramo em atividade pela Bahia. Neste universo, são 56 mil empreendedores à frente dos pontos comerciais, que geram emprego para mais de 250 mil pessoas. Em Salvador, o funcionamento de bares e restaurantes foram liberados pelo então prefeito ACM Neto em agosto de 2020, durante a segunda fase de retomada da economia na cidade. Ainda assim, mais de 60 mil trabalhadores desses estabelecimentos foram retirados de seus postos. Para a seção baiana da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), a situação do setor é dramática. “Diante da realidade imposta pelas medidas restritivas, bares e restaurantes se encontram em um corredor da morte”. Às vésperas do toque de recolher adotado pelo Governo da Bahia em 19 de fevereiro, a associação enviou carta aberta para o governador Rui Costa com posicionamento sobre as medidas anunciadas. Entendemos que as atividades de bares e restaurantes, ofertando ambientes seguros e seguindo fielmente todos os protocolos sanitários, cumprem sua função social e econômica”, diz a Abrasel.


Restrições
Com a Bahia atingindo uma média de 90 a 100 óbitos diários nas últimas semanas, o “lockdown” anunciado no dia 26 de fevereiro foi estendido até a próxima segunda (8) com grandes chances de prorrogação, de modo que bares e restaurantes continuarão aptos a atender apenas em sistema de delivery (até a meia-noite) e take away/retirada (até as 18h, com portas fechadas para o público). Enquanto isso, o toque de recolher se estenderá até o final de março. A Abrasel tentou pedir que a proibição de circulação nas ruas começasse às 23h30, sem sucesso. Para Angela Carvalho, presidente do Conselho Baiano de Turismo (CBTUR), fechar bares e restaurantes pode não ser a saída. “A experiência já mostrou que as medidas restritivas atingem apenas os ambientes seguros, provocando seu fechamento, enquanto lugares insalubres continuam em funcionamento de forma irregular, gerando potenciais riscos à toda a sociedade”, disse, referindo-se à realização de paredões e festas clandestinas.


“Novo normal”
Visando fornecer um auxílio aos proprietários de bares e restaurantes neste momento de crise, a Abrasel criou uma rede de apoio ao setor de alimentação fora do lar. No site da associação, são divulgadas orientações de boas práticas para o serviço de delivery e retirada, linhas de crédito e financiamento disponíveis no mercado, controle de caixa e pessoal, entre outras temáticas. Porém, os últimos boletins divulgados pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia indicam que o retorno dos bares e restaurantes vai ter de esperar. A subsecretária Tereza Paim defende a manutenção das medidas restritivas como forma de preservação da vida. “A gente sabe que a Bahia é um estado turístico, vem gente de outros lugares também, e isso faz aumentar o espalhamento do vírus, com as novas cepas”. Para Ceuci Nunes, infectologista e diretora do Instituto Couto Maia, a palavra-chave para o momento é conscientização. “Acima de tudo, a gente precisa mudar os hábitos da população. As pessoas precisam entender a gravidade da situação e só sair para a rua quando for necessário”.
Fonte:Tribuna

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