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Prefeito do PT é acusado de contratar empresa fantasma para limpeza urbana no interior da Bahia

25/03/2021

O prefeito de Tanquinho, Zé Luiz (PT), é acusado de contratar uma empresa fantasma para prestar serviços de limpeza urbana da cidade que fica próxima a Feira de Santana. Trata-se da Qamp Serviços de Construções, que conseguiu um contrato emergencial com a prefeitura no início do mandato de Zé Luiz. Conforme publicação no Diário Oficial do Município do dia 21 de janeiro, o Executivo municipal contratou a empresa por R$ 202.098,75, até 8 de março, e depois renovou através de um aditivo até 9 de maio. A acusação é feita pelo consultor jurídico João Neto.

Segundo consta na Receita Federal, a empresa, fundada em 2018, tem capital social no valor R$ 550 mil, e é hoje representada pelo recepcionista Silas Thomas Assis Santos, de 26 anos. Conforme a situação cadastral à qual o BNews teve acesso, Silas atua em uma empresa de fornecimento de gestão de recursos humanos para terceiros, e ganha salário de R$ 1.379,45.

A empresa também não tem histórico de serviços parecidos em nenhum local. A reportagem tentou entrar em contato com Silas, mas não obteve êxito.

Saída do vice - Coincidência ou não, o vice-prefeito eleito da cidade, Pascoal Martins (MDB), pediu afastamento do cargo. Em carta aberta e verificada a veracidade pelo próprio ao site, Pascoal diz que "no início da gestão coisas foram acontecendo".

"As quais me deixaram bastante indignados. Reuniões na calada da noite para formação de um secretariado onde eu, vice-prefeito nunca fui convidado a participar, muito menos opinar. Num diálogo sobre tão abominável atitude, fui comunicado de que o CPF utilizado era o dele, não entendi tal colocação, mas vamos em frente. O discurso de campanha não mais condiz com a prática de agora. Minhas ligações já não eram mais atendidas, minhas solicitações foram totalmente negadas, não tenho nenhum cargo nesse governo, os que foram colocados, logo foram retirados e a mim não foi dado nenhuma satisfação", disse, em um trecho da carta.

 Pascoal, no entanto, disse que não irá declarar mais nada do que tem na carta.

Prefeito responde - O BNews entrou em contato com o prefeito Zé Luiz, que negou a acusação. "Todo processo está dentro da base legal. Para mim é novo que empresa alguma é laranja, temos várias empresas do município prestando serviço, dentro do processo legal, tudo tá ok, mas eu estou à disposição para qualquer esclarecimento", afirmou.

Questionado sobre o motivo de um recepcionista com salário de R$ 1,3 mil e ter uma empresa com capital de R$ 560 mil, Zé Luiz disse que não tem conhecimento nenhum, mas admitiu que não conhece o dono da empresa. "A gente faz um processo que as empresas participam, se me perguntar hoje se conheço o dono das empresas, não, a empresa apresenta documentações, presta serviço", contou.

O gestor disse ainda que trata-se de uma ação de quem quer mandar nele, que dissemina essa informação pela cidade. "Inclusive já acionei meu jurídico particular para entrar com processo de calúnia, difamação. Temos todo o contrato e processo licitatório, parecer jurídico, parecer da comissão, controladoria interna, nada passa sem todos atos legais. Estou bem tranquilo em relação a isso. Se tiver qualquer irregularidade tem que assumir, quem está falando das coisas somente para macular imagem do prefeito porque não teve vantagem política, vai responder por atos", afirmou.

 Sobre o afastanento do vice-prefeito, Zé Luiz disse que ele "entregou uma lista com 25 nomes" para a gestão. "Cargos, na verdade, que ele quis, só fez reivindicações partidárias, como não vamos ceder, a primeira pessoa da lista é o filho dele, na gestão passada tiramos a irmã do prefeito da gestão, a lei organica não permite, por nepotismo, o primeiro pedido do vice-prefeito foi a contratação do filho dele, com isso foi gerando desgastes, cobrança por cargos políticos, coisas fora do comum, está se afastando, fazendo movimento de oposição, a mim não comunicou nada", contou.

Câmara cobra esclarecimento - Os vereadores da cidade Gervásio Bigu (PP), Carlos Alexandre (PTC), Getúlio (PP) e Pastor Roque (PSD) pediram no dia 18 de março para a prefeitura a cópia em formato digital ou impressa do contrato com a empresa Qamp, do 1º termo aditivo ao contrato, cópia de eventuais processos de pagamento que já tenham sido realizados no âmbito do contrato e a lista dos funcionários vinculados ao contrato de execução dos serviços durante o período de vigência.
Fonte: B.News

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