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Morte de Bruno Covas deixa um vazio a ser superado com o tempo

17/05/2021

Aos 41 anos, prefeito paulistano morreu ontem vítima de um câncer no sistema digestivo com metástase nos ossos e no fígado.
A morte do jovem prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), ontem, aos 41 anos de idade, tira da política brasileira uma de suas mais promissoras lideranças. Advogado, economista, deputado estadual, secretário de Meio Ambiente de São Paulo, presidente do Juventude do PSDB e deputado federal, Bruno foi um militante das boas causas.
Neto do ex-governador do estado de São Paulo, Mário Covas, não herdou a personalidade explosiva do avô. Sensível, educado, cordial, sempre disposto a negociar, construiu importante patrimônio político nesse país envolvido em sérias dificuldades.

É um golpe antes de tudo para sua família, para seu filho Tomás, muito apegado a ele, para os inúmeros amigos e companheiros com quem conviveu em sua curta e intensa vida. É um golpe também para a cidade de São Paulo, que o reelegeu para um segundo mandato na Prefeitura em 2018, prêmio por uma gestão meticulosa, sem estardalhaço, ciente de que as realizações precisam ser dosadas para serem viáveis. Pode não ter agradado a todos, mas mereceu o respeito de todos, inclusive dos adversários.
O que virá depois dele, com a posse do vice-prefeito Ricardo Nunes (MDB), ainda é uma incógnita, por mais que compromissos de continuidade tenham sido publicamente assumidos. O vazio deixado por Bruno Covas será sentido de modo particular no PSDB, seu partido, que não atravessa bom momento e não mostra força no jogo político. Bruno queria retomar a orientação original tucana, de perfil social-democrático.
Buscava aproximar as alas partidárias que hoje se engalfinham numa luta interna tóxica, contaminada pelas eleições de 2022, a que se dedica intensamente o governador paulista João Doria. Bruno Covas fará falta na vanguarda de uma articulação interessada em qualificar o que tem sido chamado de centro democrático, composto com a direita liberal e a esquerda social-democrática, numa frente que se proponha a ser o vetor de uma coalização que mantenha e aprofunde a democratização no País, combinando-a, firmemente, com um reformismo social a cada dia mais indispensável.
 Fazer com que essa perspectiva ganhe corpo e se viabilize será uma homenagem à memória de Bruno. Marco Aurélio é professor titular de Teoria Política da Unesp.
Fonte: Estadão Conteúdo

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